quinta-feira, 27 de agosto de 2015

A Mansão do Caminho - Salvador - BA

Tá, eu sei que o blog é pra falar de música. Só que eu sou a sócia majoritária da bagaça aqui, então ninguém vai reclamar se eu cometer um "off topic". O assunto é muito extenso para as redes sociais.

Direto ao ponto: hoje, tive o privilégio de conhecer de perto a Mansão do Caminho.  Quem é espírita e conhece Divaldo Pereira Franco sabe o que isso significa. E para quem não é, eu explico. Divaldo é, simplesmente, o maior orador espírita do mundo. Já esteve em todos os continentes pregando a verdade, o caminho e a vida. Médium, tem centenas de livros publicados.  Sua mentora é Joanna de Ângelis, um espírito de luz que já ditou muitos livros para Divaldo, sendo a série psicológica uma verdadeira enciclopédia do bem viver. Tudo que arrecada com as vendas dos livros, DVDs das palestras, CDs, Divaldo aplica em sua obra maravilhosa: a Mansão do Caminho. Localizada em um dos bairros mais carentes de Salvador, a Mansão funciona como um verdadeiro oásis de luz para o local. Em um terreno imenso, com um lago e muitas construções, Divaldo e uma equipe grande, tanto de funcionários quanto de voluntários, presta um serviço inestimável à população.

Lá funcionam escolas e creches que atendem crianças de todas as idades. Todas ficam em tempo integral e recebem 5 alimentações por dia.  Na hora de irem para casa, recebem pães e leite para a família. Quando um visitante chega, para conhecer a obra, como fiz hoje, as crianças recebem com um sorriso e cantam para nós.  É emocionante ver aqueles rostinhos sorridentes e mostrando que estão muito bem assistidos. Conforme crescem, vão sendo transferidos de prédio, de acordo com a faixa etária. Um centro de saúde atende a todos que o procuram.  Os médicos são voluntários e há distribuição de medicamentos.  Um laboratório também funciona no local.

Uma unidade de parto normal foi inaugurada e uma parceria com o SUS criada.  Em um ambiente impecável, as mães fazem o pré-natal e dão à luz de forma natural.

Cursos profissionalizantes são oferecidos aos adolescentes. Cabeleireiro, culinária, pintura em tecidos, tapeçaria, padaria, aulas de música, tudo em instalações confortáveis, claras e impecáveis. O mais importante de tudo é que não há qualquer tipo de restrição para se ter acesso a esses benefícios. Não importa a religião da pessoa.  Nada é imposto.  Claro que existe o Centro espírita no local, mas apenas para quem deseja frequentar e conhecer o espiritismo.  Muitas famílias de evangélicos tem acesso ao que a Mansão oferece.

Essa obra maravilhosa é fruto do sonho de duas pessoas muito especiais: Divaldo Franco e Nilson de Souza Pereira.  Juntos, fizeram essa obra gigantesca que já beneficiou milhares de crianças e famílias. E ainda vai continuar fazendo isso por muito tempo.

A Mansão é também a residência de Divaldo, quando ele não está em suas viagens de divulgação da doutrina pelo mundo afora.  Ele também profere palestras no local e cria movimentos como o "Você e a Paz" que já faz parte do calendário de eventos da cidade.

Saber isso é uma coisa, agora, ir ao local e vivenciar tudo, é emocionante.  Hoje tive um dia muito especial e que vai ficar guardado pra sempre nas minhas lembranças mais caras.  Recomendo a todos que procurem conhecer o trabalho maravilhoso de Divaldo Franco.  É um ser de luz em nosso planeta.  Vale a pena se deixar banhar por essa luz e vibrar na faixa de onda que a Mansão possui,  Um farol iluminando a comunidade ao seu redor e fazendo com que as pessoas percebam que existe um caminho.  Joanna de Ângelis está presente em casa espaço da obra.  Sua luz é captada e retransmitida por Divaldo e por cada um dos trabalhadores do local.  Hoje foi um dos dias mais emocionantes que vivi nos últimos tempos.

sábado, 8 de agosto de 2015

Johnny Hooker - Casarão Ameno Resedá - 07/08/15

Alguém que nasce no Recife, com o nome de JOHN DONOVAN e é neto de irlandês, tem pouquissímas chances de passar desapercebido. Se for bonito, simpático e ainda por cima tiver talento, as chances praticamente caem para zero. John, ou melhor, JOHNNY HOOKER é muito jovem, acabou de completar 28 anos de idade, mas já tem um currículo digno de deixar muita gente madura assustada.

Já atuou como ator no cinema, em novela da Rede Globo e também como diretor e roteirista de um curta metragem.  Mas é no palco que Hooker mostra a que veio. É, sem dúvida, integrante daquele time de artistas que de vez em quando chega para sacudir as estruturas e arrastar multidões. Ele está com seu CD, por enquanto apenas virtual - Eu vou fazer uma macumba pra te amarrar, maldito! - nos primeiros lugares das plataformas digitais e ganhou o prêmio de melhor cantor na categoria popular do Prêmio Multishow desse ano.

Ao que tudo indica, as coisas estão apenas começando a acontecer na carreira desse artista incrível que hipnotiza as platéias pelo país afora. Convites surgem de todos os lados e em breve Portugal vai conhecer de perto o fenômeno brasileiro Johnny Hooker.

Ontem, Hooker fez sua segunda apresentação, com casa lotada, no Casarão Ameno Resedá, no bairro do Catete, no Rio de Janeiro. Com capacidade para cerca de 400 pessoas, o espaço ficou pequeno para tantas pessoas que queriam ver e curtir a apresentação do jovem artista Pernambucano.  Com uma banda excelente: Felipe Soares (guitarra), André Soares (baixo), Eduardo Guerra (bateria), Arthur Dantas (teclados), Michael Custódio (trumpete) e o sensacional Tiago Duarte (percussão), Hooker sacudiu, literalmente, o segundo andar da casa, que tremia ante o entusiasmo do público. Todos cantando junto com ele e vibrando com o show.

A apresentação de ontem foi especial, já que Hooker tinha feito aniversário no dia anterior e também por ter apresentado seu irmão mais novo, Daniel Donovan, que tocou com ele em público pela primeira vez.  É muito bom ver um artista com tanta empatia com seu público e alguém que ainda tem muito que mostrar.  Talento e criatividade não faltam a Johnny Hooker e acredito que ele ainda vai dar muito o que falar.  Que venha o futuro promissor e que a carreira dele só ganhe novos horizontes e que continue a conquistar multidões por todos os palcos por onde passar.







segunda-feira, 8 de junho de 2015

Duda Brack - Entrevista Exclusiva para o Blog

Foto: Divulgação

Em meio à correria entre ensaios, viagens, shows e o trabalho de divulgação de seu primeiro CD recém lançado, DUDA BRACK teve a gentileza de me conceder uma entrevista aqui para o blog.  Valeu, Duda!  E que tal conhecer um pouco mais sobre essa moça talentosa que ainda vai dar muito o que falar?


FM - Onde e quando a música entrou em sua vida?


DB - A música foi um afloramento que se deu na minha vida aos quinze anos, e que teve início através do popularesco “canto no chuveiro”. Minha relação com a música foi se estreitando quando eu percebi o ímpeto e a necessidade de cantar - por alcançar, com este ato, uma plenitude utópica. Foi então que comecei a me experimentar. Cantei em festas de amigos, formaturas, bares, grupos vocais...

Então não sei bem dizer onde e quando, exatamente, a música entrou na minha vida. A verdade é que ela sempre me moveu, e em um determinado momento foi inevitável devotar minha existência à ela.


FM - Você compõe também ou é apenas intérprete e instrumentista?


DB - Compor é algo com o qual as vezes o acaso me contempla. Me acontece, vira e mexe. Por vezes esbarro nisso, mas não é minha transa. Gosto mesmo é de recriar a criação alheia. 


FM - O RJ foi uma escolha?


DB - Decidamente.  Graças a Deus (e à internet também) a visibilidade acerca da produção musical está cada vez mais descentralizada, mas Rio e São Paulo ainda oferecem mais oportunidades - não só de trabalho, mas também no que tange ao fluxo de trocas artísticas e processo de criação.

Além disso, sempre tive família aqui e sempre gostei muito daqui também.


FM - Qual sua opinião sobre o momento atual da música brasileira no RJ e no Brasil de forma geral?


DB - O Brasil sempre foi, e segue sendo, um potente celeiro musical. Acho que vivemos um momento fértil, com uma diversidade estética muito linda. A internet é uma ferramenta que tem colaborado muito pra isso: ela expande o dialogo cultural e desfalece as fronteiras e divisórias entre vários estilos e linguagens.

Só acho uma pena que poucas coisas - dentre tantas sendo feitas -  tenham vazão e cheguem até o conhecimento do público. A música brasileira vai de bem a melhor. Já o mercado midiático brasileiro... 


FM - Como é conviver com tantos talentos de sua geração como Caio Prado, Diego Moraes, Daniel Chaudon, Filipe Catto, Dani Black,Bruna Caram, para citar apenas alguns.


DB - É lindo! São amigos queridos, pessoas incríveis, artistas imensos, com quem tenho o prazer de dividir a vida. Essa troca me alimenta, me ensina.


FM - Fale um pouco sobre como foi o seu encontro com Filipe Catto no show em SP.


DB - Foi D O C A R A L H O ! Aos mais pudicos: perdoem-me o palavrão, mas aqui o utilizo como advérbio de intensidade pra tentar dimensionar o quão lindo foi... 

Nosso encontro já tinha acontecido espiritualmente, antes de a gente se conhecer. Quando, enfim, conhecemo-nos, ficamos novos velhos amigos de infância à primeira vista. Rs. Filipe é uma forçinha da natureza; uma coisa linda de Deus; pessoa-alma generosa, artista-imenso-poderoso. É uma honra pra mim dividir o palco com ele. 


FM - Como foi o processo para chegar ao seu CD, " É" ?


DB - Esse disco é fruto dos atravessamentos que vem me acontecendo desde que eu mudei pro Rio.  

Primeiro veio a chegança das canções que compõem o disco. Todos os compositores presentes no disco são amigos. Conheço a obra de todos eles, e tive a oportunidade de ir pinçando canções com as quais eu me identificava (com exceção de “Eu sou o ar” que foi feita pra mim).

Durante esse processo, ocorreu também um processo meu (voz e violão) de compreender o que cada canção representava para mim e o que eu representava para cada canção. Isso me possibilitou já imprimir o meu olhar e a minha personalidade sobre as canções e distanciá-las do olhar dos compositores. Foi assim que eu apresentei elas aos meninos quando formei a banda. 

Quando o repertório estava quase todo definido, formei minha banda (Barbosa na bateria, Gabriel Ventura na guitarra, Yuri Pimentel no baixo). O meu ajuntamento com os meninos se deu por conta de um pedido de show que acabou caindo, mas a gente gostou tanto de tocar junto que seguiu desenvolvendo uma pesquisa de criação em cima desse repertório. Passamos uns oito meses ensaiando na sala da casa do Yuri e, quando a gente achou que tinha algo sólido e coeso em mãos, chamamos Bruno Giorgi pra produzir, gravar, mixar e masterizar. 
Gravamos as bases ao vivo, no estúdio Tenda da Raposa, no Rio. Depois gravamos complementos e vozes (muita coisa em casa, e algumas no estúdio O Quarto). Depois Bruno mixou e masterizou também n’O Quarto.


FM - Como vai ser a divulgação?  Além de POA, tem planos de shows em outras cidades?


DB - Planos temos muitos, né? Queremos rodar o mundo com esse trabalho... Mas é muito difícil pro artista novo e independente rodar. Temos umas série de custos pra viajar com o show que inviabiliza muita coisa. 

Estamos em um momento de formação de público. O alcance do trabalho ainda não o torna sustentável por si só. Além disso, é muito difícil conseguir apoio pra financiar, a maioria dos locais de show para artistas pequenos tem uma infra-estrutura muito ruim... Enfim.

Estamos fazendo o possível. Queremos ir logo pra São Paulo, Belo Horizonte, Recife, Curitiba e Brasília. De concreto - agora que passou Porto Alegre (que foi dia 04 junho no Ocidente) -  temos Rio de Janeiro dias 19 e 20 de junho no Oi Futuro de Ipanema, pelo lindo projeto Levada 2015. 

quinta-feira, 21 de maio de 2015

Duda Brack - CD "É"

Sempre interessada  em conhecer o que se faz de novo na música brasileira, há quase 1 ano atrás, mais precisamente em junho de 2014,  compareci ao Sarau que aconteceu no espaço Audio Rebel, em Botafogo.   Já bem conhecido dos cariocas, por ser um local onde a música alternativa e de qualidade é sempre bem-vinda, naquela noite quem fazia as honras da casa era João Guarizo que convidava vários  amigos.

Foram muitas novidades para mim, mas uma delas  me marcou bastante.  Quando a moça de aparência frágil subiu ao palco, tímida,  eu não tinha ideia do que ouviria a seguir. Bastou ela emitir as primeiras notas para eu ter certeza que ali estava um grande talento.  Sim, era Duda Brack.   Daquelas que quando sobe ao palco se transforma.  Mesmo tendo  estatura média, se agiganta e vira um verdadeiro furacão  que a todos arrasta. Me impressionei com a voz e a força da interpretação da moça e guardei bem o nome.


Voltei a vê-la , pouco tempo depois,  em participação no show de lançamento do CD de Caio Prado em Ipanema, e logo quis saber se ela já tinha CD.  Me disse que ainda não, que estava trabalhando nisso e que em breve seu primeiro trabalho seria disponibilizado.

E agora aí está “ É” , primeiro registro em CD dessa jovem e forte intérprete que chega com tudo,  mostrando que o Rio Grande do Sul realmente produz   frutos muito maduros e saborosos para a MPB.

Quando se tem talento, não é preciso muita parafernália para se fazer boa música.  Uma guitarra, um baixo e bateria tão conta do recado e é essa base que  Duda usou em seu trabalho.   Com 8 canções,  de autores que vão dos seus contemporâneos como Caio Prado, Thais Feijão, Paulo Novaes e Dani Black a compositores de outra geração como  o excelente Celso Viáfora, “É” revela uma cantora segura, que sabe usar sua  voz possante de forma perfeita.  Outro compositor bem interessante que Duda gravou foi Élio Camalle, artista radicado na França e pouco conhecido aqui no Brasil, mas  com um  trabalho incrível que vale a pena ser descoberto.

Por enquanto  “É” ainda está apenas em edição virtual e pode ser baixado no site oficial de Duda, mas em breve teremos o CD físico. A tournée de lançamento do disco já começa agora em junho e terá sua estreia em Porto Alegre, no  emblemático Bar Ocidente,  onde tantos outros talentos gaúchos já se apresentaram.

Na semana passada, tive a grata surpresa de ver Duda Brack como convidada do show de Filipe Catto no palco do aconchegante Tom Jazz, em SP.  Foi um encontro lindo.   O contraste entre os tons de voz dos dois artistas ficou especial.  Houve uma “liga” imediata.  Ambos muito jovens, talentosos demais, gaúchos e viscerais em seu jeito de interpretar.  Podia ser melhor e mais perfeito?  Acho que só mesmo no dia em que os dois dividirem o palco em um show completo.  Espero ver isso breve! Atenção SESC SP: pode convidar que será sucesso!



CD “ É” – Duda Brack -  Independente – 2015

Produção de  Bruno Giorgi – Participação de Dani Black -  Gabriel Barbosa (bateria), Gabriel Ventura (guitarra), Yuri Pimentel (baixo). Capa de Flora Borsi.

1-     Eu sou o ar (César Lacerda)
2-     Vaza (Thais Feijão)
3-     Lata de tinta (Paulo Monarco/Élio Camalle)
4-     Dez dias (Dani Black)
5-     Venha (Paulo Monarco/Celso Viáfora)
6-     Te ver chegar (Paulo Novaes)
7-     Cadafalso (Carlos Posada)
8-     A casa não cairá (Caio Prado)

Site para baixar “É”: http://www.dudabrack.com

Show em Porto Alegre: 04/06/15 – Bar Ocidente

terça-feira, 17 de fevereiro de 2015

Os Multitalentos de Filipe Catto

Todo grande artista é multitalentoso.  Quem pensa que Filipe Catto tem “apenas”  uma voz única e extraordinária, que é um intérprete que torna definitiva a sua versão para qualquer música que cante e que compõe como poucos, precisa conhecer o seu talento para as artes plásticas.

Formado em Design Gráfico, Filipe faz questão de cuidar pessoalmente das capas dos seus discos, dos flyers de seus shows e também costuma tornar especial os projetos de outros artistas e amigos, como fez recentemente ao assinar a criação da capa do CD “Rainha dos Raios” de Alice Caymmi.

Com um traço perfeito e preciso, Filipe já deixou claro o talento para o desenho,  no encarte do seu primeiro disco, o EP Saga, de 2009, disponível apenas virtualmente.




Incrível também a habilidade de Filipe para retratar pessoas, como mostram os desenhos que fez das amigas e colegas de profissão , Bárbara Eugênia e Bluebell.




Aqui um autorretrato perfeito:
De vez em quando, Filipe presenteia os seguidores de sua Página Oficial  com trabalhos como esses:



Seria maravilhoso  se um dia Filipe  fizesse uma exposição e vendesse alguns de seus quadros.  Com certeza seria um sucesso.  Quem não gostaria de ter arte de qualidade em suas paredes  e ainda mais com  a assinatura “Catto” ?


segunda-feira, 16 de fevereiro de 2015

Filipe Catto - Entrevista para a Revista Chams - 2014

A  revista “Chams” circula no estado de  São Paulo e tem como público alvo principal, a comunidade árabe no Brasil.  Em sua edição no. 258, de agosto/setembro de 2014, (pág. 34) publicou uma entrevista com Filipe Catto.  Para os que não tiveram acesso à revista, transcrevo aqui o texto completo.  Sempre oportuno e interessante conhecer a opinião de um dos maiores artistas que esse país tem.

Seção Bazaar – Por Micaela Fajuri Ferraz

Visionário à moda antiga – Sem medo de desconstruir o já consagrado, Filipe Catto sobe nos palcos Brasil afora e deixa sua marca.
De fala mansa, beirando a timidez.  No palco se agiganta.  Novo nome da música nacional, já dividiu o palco  com Cida Moreira, Ana Carolina e Ney Matogrosso, além de ter encarado um dueto informal com a “diva” Elza Soares.  Valente, performático, visceral, sem medo de rótulos, um artista de opinião.  Conheça um pouco de Filipe Catto.

RM(Revista Chams) – Você disse, a respeito de Saga, que ela aborda o “olhar pra frente, mas reconhecendo as raízes”.  Fale um pouco de suas raízes.

FC (Filipe Catto) – Eu sou gaúcho, então os ritmos latinos estão super presentes na minha formação.  Saga é um pouco fruto dessa combinação.  Ela é uma síntese dessa latinidade que eu carrego naturalmente, mas sem ser saudosista.

RM –Muito da música contemporânea tem pouco de realmente.  Inclusive suas referências musicais trazem muito da “velha guarda”.  Você acha que há uma nova  Música Popular Brasileira? Quais os limites da inovação ?

FC – Não existe limite nenhum.  Acho tudo que está acontecendo na música hoje de uma riqueza absoluta.  As fronteira se dissiparam, então hoje eu sinto a música feita no Brasil cada vez menos preocupada com esses limites.  É o “indie rock” misturado com o “brega”, misturado com o “funk carioca”, indo pro “ samba de raiz”... Tudo pode.  Adoro essa loucura toda e adoro também os grandes cantores, os compositores consagrados.  Por que não?

RC – Mas essa fronteira se dissipou há muito tempo, no Movimento Tropicalista.

FC – Sim, mas vem acontecendo de uma forma muito natural agora. Independente de movimentos, existe na real comunicação global através da internet, e isso reflete na música brasileira.  Tudo dialoga, muitos artistas trazem sotaques e cores de outras culturas, até mesmo cantam em outras línguas.  Sem pertencer a nada, a música brasileira agora está cada vez mais globalizada no bom sentido, trazendo influências e exportando ideias.

RC – Você disse certa ocasião que Maysa é “rock’n’roll”.  Você pode desenvolver ?

FC – Rock, pra mim, é uma postura, uma atitude, não estilo musical.  A entrega da Maysa nas canções  é rock’nroll.  A Elis cantando “Atrás da porta” é rock’nroll, porque é despudorado, é visceral.  Isso é o verdadeiro rock, transgressão, entrega, se jogar sem rede de segurança.

RC – Você agregou a seu repertório canções como “Olhos nos olhos” com maestria, o que é quase uma ousadia, quando consideramos que Maria Bethânia a tornou praticamente definitiva.  Sua versão de “Luz Negra” é outro exemplo.  Você diz que Nelson Cavaquinho é um artista contemporâneo, no sentido de suas composições se encaixarem em outros gêneros.  Mas poucos artistas se encorajam a transitar em terrenos arenosos.  Falando de “Luz Negra”, que foi gravada por diversos artistas, mas  algo novo só se vê em sua versão e na de Jards Macalé,  ousaram tirá-la do terreno o samba puro.  Você é um artista ousado, sem medo de desconstruir o já consagrado.  Até um dueto com a “deusa” Elza Soares você já encarou.

FC – Eu gosto de música, não tenho muito essa preocupação.  Eu sou meio bicho nesse sentido, porque música tem que bater,  e eu canto o que bate na minha praia e me toca.  Não interessa o quê, nem de que maneira.  Esse é meu lugar.  O do intérprete, acima de qualquer coisa.  Mesmo cantando minhas canções, quando eu canto, sou intérprete.  O compositor morreu assim que a música ficou pronta.  E dentro desse universo,  eu deito e rolo.

RC – Você diz que não existe “ música brega”.  Elas podem comovê-lo ou não, mas se recusa a concordar com o rótulo.  Mas a definição não poderia estar mais na forma que no conteúdo?  Você não acha que o arranjo e a escolha instrumental podem deixar uma canção mais ou menos elegante?

FC – Acho que depende do olhar que se dá para a música.  Independentemente de gênero, essa coisa de rótulo na canção é uma idiotice.  Eu gosto de coisas de tantos lugares, que acho uma burrice prender uma música a um lugar só.  “Garçom”, que gravei, pra mim sempre foi uma grande canção, digna de Maysa, Dolores Duran.  Eu só fiz revelar esse olhar que eu tenho pra ela, nada mais.

RC – Chams circula principalmente entre a coletividade árabe do Brasil.  Nosso país é um caldeirão cultural, formado por imigrantes dos mais diferentes locais, porém criando uma nova identidade.  Você acha que isso influencia a música brasileira?

FC – Totalmente.  Toda nossa música é fruto da mistura das culturas.  É isso que faz ela ser tão única e especial.  A arte é reflexo do povo, e o Brasil é um berço que abriga a todos, assim como todos os ritmos e possibilidades artísticas.  É uma maravilha.